Caridade é abrir fábricas
Os homens, principalmente nas últimas décadas, têm se preocupado cada vez mais com as questões sociais. Cada dia mais vemos pessoas saindo nas ruas com placas em manifestações por essa o aquela idéia. Que altruísmo mais belo, não?
Ninguém nega a importância desses movimentos por uma sociedade mais justa e igualitária. Ninguém nega que as pessoas que protestam, que gritam, que entram nas trincheiras contra a guerra, que armam as barricadas por um mundo melhor realmente acreditam em seus ideais e têm as melhores das intenções ao se engajarem e agirem.
O único problema talvez seja o fato de as pessoas, por razões ideológicas quase dogmáticas, estarem levantando a voz contra as coisas erradas, estarem reinvidicando uma série de exigências que são incompatíveis com a realidade e que, no fundo, vão piorar a vida das pessoas e tornarão a sociedade mais injusta e desigual.
O autor desse texto não quer, obrigatoriamente, usar o chavão "it's the economics, stupid", mas acha importantíssimo relembrar alguns conceitos basilares da organização econômica da nossa sociedade, organização essa que, como já demonstrado antes, não será alterada por fatores exógenos a ela mesma.
Um dos pilares da nossa sociedade é, sem dúvida, a busca pelo lucro. Sim, é da famigerada taxa de lucro que estou falando. Por ela, os homens movem o céu e a terra. O incentivo que o retorno monetário trás é surpreendente. Foi ele que nos deu quase tudo o que nos cerca, foi ele que nos possibilitou ter maior conforto e uma melhor condição de vida.
E tudo isso motivado por quê? Pelo simples interesse pessoal que cada um tem. O autor desse texto quer deixar claro que não pretende, obrigatoriamente, citar Adam Smith por aqui. Já está demasiado claro que há uma identificação profunda dos ideais desse texto com a filosofia do individualismo de Smith.
Devemos apenas deixar claro que "não é pela benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos obter nosso jantar, mas da consideração que têm pelo seu próprio interesse. Dirigimo-nos, não à sua generosidade, mas ao seu amor próprio, pois nunca os comovemos pelas nossas necessidades, mas pelas vantagens que ele lograrão".
A crítica agora se constroe sobre aqueles que protestam e tentam minar essa força que impulsiona nosso mundo. Para começar, criticam o lucro e a luta por obtê-lo. Ou seja, criticam as bases que nos deram tudo o que temos. Não é possível vislumbrar uma alternativa tão eficiente para a produção. Há quem cite Stálin e seus bem-sucedido planos quinquenais, mas os que o fazem ignoram os mais de sete milhões de mortos da coletivização forçada de terras.
Além disso, temos aqueles que, de forma claramente bem intencionada, pregam melhorias para um determinado grupo social, no caso, os trabalhadores. O que eles não vêem é que seu ataque à "burguesia" só pode se converter em uma única coisa: desemprego.
O exemplo atual mais claro disso é, sem dúvida, Paris. Bela cidade, belos monumentos, muita história e, sem dúvida, protestos. O povo que levou à frente a Revolução Francesa e a Comuna de Paris adora sair às ruas. Hoje, criticam a presidência que tenta liberalizar a economia. Será que, realmente, os governantes da França são maus e comprometidos com o capital explorador?
Se formos a Saint-Dennis veremos que é exatamente o contrário. Os pobres imigrantes vivem sem nenhuma perspectiva de futuro na economia formal porque, como os encargos trabalhistas são enormes, ninguém se dispõe a contratá-los. Assim, a alternativa contra a dura realidade torna-se apenas incendiar carros. Ou seja, para que um grupo tenha seus privilégios legalizados, outros devem ser marginalizados. E ainda há protestos pela manutenção dos "direitos adquiridos".
Será que as pessoas que levantam as bandeiras pela melhoria nas condições sociais são mesquinhas e aproveitadoras? Já dissemos aqui que não. Talvez sejam apenas ingênuas e idealistas. O problema é que por defenderem algo que pode parecer positivo, os nossos novos revoltados acabam gerando uma situação pior do que se simplesmente não se engajassem em assuntos que pouco compreendem.
A verdadeira caridade talvez seja, mesmo, abrir fábricas. Assim se amplia a economia, o emprego e se obtem o melhor possível para todos. É na busca pelo seu próprio interesse que se melhora a vida do coletivo.
It's the economics, stupid.




